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sexta-feira, 2 de março de 2012

Liderança em discussão, na liga portuguesa.


Sem vencer há três jogos e sem marcar há dois, o Benfica enfrenta uma semana decisiva: a segunda mão dos oitavos-de-final da UEFA Champions League frente ao FC Zenit St Petersburg, na terça-feira, acontece apenas cinco dias após a cimeira de líderes da Liga portuguesa com o FC Porto, na sexta-feira.

As "águias" chegaram ao encontro da primeira mão frente ao Zenit com 11 vitórias seguidas em todas as competições, mas saíram da Rússia derrotados por 3-2, naquele que constituiu o segundo desaire da temporada após a eliminação da Taça de Portugal pelo Marítimo, em Dezembro (2-1). 


Só que não tardou muito novo reverso, quando o Benfica averbou a primeira derrota no campeonato a 20 de Fevereiro, 1-0 no terreno do Vitória de Guimarães, desfecho ao qual se seguiu o nulo no terreno da Académica, sinal evidente de claro abaixamento de forma, pelo menos em termos de resultados, por parte da equipa de Jorge Jesus.

O Porto não se fez rogado. Aproveitou os deslizes dos "encarnados", reduziu a diferença de cinco pontos e chegou à liderança da Liga portuguesa devido à diferença de golos, embora a reparta em igualdade, na altura ideal: antes da visita de sexta-feira a Lisboa para enfrentar o rival. Contudo, o Benfica pode sentir algum conforto moral na estatística, pois não perdeu nas 17 partidas efectuadas perante os seus adeptos na presente temporada e ganhou as dez realizadas no campeonato. Na Europa, apesar de estar obrigado a dar a volta ao desfecho de São Petersburgo, apresenta somente um desaire nos derradeiros 19 jogos no seu recinto, 15 dos quais foram vitórias.

Talvez seja por isso que o médio Pablo Aimar acredita na capacidade do Benfica em voltar a entrar nos eixos. "Claro que acredito nisso [vencer o Porto]", disse no final do jogo com a Académica o organizador de jogo argentino de 32 anos, galardoado com o prémio de melhor futebolista do clube em 2011/12 durante a gala anual do Benfica, na terça-feira, dia que o emblema da capital portuguesa festejou o 108º aniversário. "Acredito que com o apoio dos nossos adeptos vamos fazer um grande jogo e ganhar."

Com nove jornadas por disputar depois da visita do Porto, o treinador do Benfica, Jorge Jesus, minimizou a importância do embate de sexta-feira, embora não tenha negado tratar-se de uma semana marcante para os seus pupilos. "Não é o jogo do título", revelou o técnico de 57 anos também após o encontro na cidade do Mondego. "São dois jogos que têm enorme importância. É tudo em poucos dias, mas a equipa está preparada e habituada a estes cenários. Temos confiança de que podemos vencer o clássico."

À espera do que poderá acontecer no duelo entre Benfica e Porto está o Sp. Braga, terceiro classificado apenas a três pontos da dupla da frente na sequência de nove vitórias seguidas no campeonato, recorde em curso na prova. Como tal, Jorge Jesus destacou o facto do conjunto do Minho, o qual treinou até ingressar rumar ao Benfica em 2009, estar igualmente na corrida ao título: "Benfica e Porto sabem que o Braga tem todas as condições para chegar à frente." E o homólogo do Porto, Vítor Pereira, também é da mesma opinião. "O Braga está entre os candidatos porque tem provado dentro do campo que é candidato, com resultados e bons jogos".


Com a liderança do campeonato em discussão, quais das duas equipas que hoje medem forças directamente, irá sorrir no final? Ou será que iremos assistir a um jogo demasiado táctico, com um pacto de não agressão, já que a equipa que perder, poderá ser ultrapassada pela outra equipa que corre por fora, e que tem apresentado um excelente futebol? Veremos se não será o Braga, a sorrir no final deste confronto, no estádio da Luz.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

FC Porto pressiona SLB, na luta pelo título.


Um triunfo por 3-1 no terreno do Vitória de Setúbal permitiu ao FC Porto colocar-se a dois pontos do Benfica, pressionando o líder do campeonato antes da visita desta segunda-feira a Guimarães.

A equipa de Vítor Pereira não podia ter entrado melhor em campo. Na primeira oportunidade, Janko marcou após um cruzamento de João Moutinho (3’).
Ainda antes da meia-hora, os portistas ampliaram a vantagem. Hulk aproveitou um mau passe de Amoreirinha e isolou Fernando, que não teve dificuldades em bater Ricardo (27’).
Na segunda parte, o FC Porto geriu o resultado, poupou jogadores (Lucho, Hulk, Moutinho), mas acabou por permitir que o Vitória de Setúbal reduzisse por Meyong, na marcação de um livre directo (75’).
Acossado pelos sadinos, o FC Porto reagiu rapidamente e apontou o 3-1, com Varela a concluir um cruzamento de Cristian Rodríguez (79’) – Miguelito ainda desviou a bola, mas a Liga atribuiu o golo ao avançado português.
Nos minutos finais, houve ainda tempo para Targino obrigar Helton a uma grande defesa, para Sapunaru acertar na trave e para Bruno Amaro obrigar novamente Helton a aplicar-se.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A estratégia dos 5, que dominam o futebol atual.


Os grandes negócios do futebol brasileiro começam em Montevidéu, passam por paraísos fiscais e terminam em um dos grandes europeus. Os lucros caem nos bolsos de intermediários cuja cara, você dificilmente já viu. Esse futebol sem rosto, hoje é mais influente que o dos craques. Menos vistoso, mas mais lucrativo.
PLACAR foi à caça desses representantes do futebol das profundezas. Eles arranjam o atleta, viabilizam a operação financeira, criam atalhos para o clube ter menos despesas, arranjam investidores e formam fundos de investimentos.
“Em troca de uma ajuda de 8 000 dólares mensais, assinei documentos sem ler por dez anos”, afirma Fermín Vega Torres, ex-presidente do Central Español — um clube “fantasma” do Uruguai, que servia apenas para registrar os atletas do empresário uruguaio Juan Figer. “Quando me recusei a assinar transferências, um sobrinho do Figer me ameaçou.” Logo após a recusa, os negócios passaram a ser feitos em outro clube “fantasma”, o Rentistas.
Juan Figer é uma figura discreta (odeia dar entrevista) que atua no Brasil desde 1968, quando negociou o lateral Pablo Forlán com o São Paulo. Faz parte de um grupo de cinco empresários que controla os grandes negócios do futebol — como o iraniano Kia Joorabchian, o israelense Pini Zahavi, o argentino Gustavo Arribas e o português Jorge Mendes. Hoje atuam cada um no seu pedaço. Mas podem estar juntos se a transação valer a pena. Em 2004, por exemplo, todos eles foram a Buenos Aires para tratar de uma sequência de transações com o River Plate. Arremataram Maxi López, Lucho Gonzalez e Javier Mascherano.
Jorge Mendes, atuou sem grande brilho como jogador, em clubes da terceira divisão portuguesa, A sua grande jogada aconteceu em 1996, quando criou a Gestifute. Seus negócios no Brasil incluem a coordenação da carreira do técnico Mano Menezes, em parceria com Carlos Leite. “Mendes tem relações, que nenhum dirigente brasileiro ou português tem para negociar atletas”, diz um agente com trânsito nos bastidores da bola.
Mendes passou a encontrar concorrência em Portugal. Em um ano, Kia Joorabchian fez dois negócios certeiros; As vendas dos brasileiros Ramires e David Luiz do Benfica para o Chelsea. Só nessas ações, movimentou 37 milhões de reais.
Seu braço direito é Giuliano Bertolucci, aliado desde a MSI-Corinthians. Seu maior rival, o argentino Gustavo Arribas, com boas ligações no Boca Juniors. Arribas opera a partir de outro “fantasma” — o Deportivo Maldonado, também do Uruguai. Tinha trânsito com os principais empresários.
“Hoje opera um esquema independente, o que causou atritos com ex-parceiros”, diz um agente. Kia chegou a acusá-lo de roubar o Corinthians. “Ele pegou o Sebá Dominguez e transferiu para o América do México sem pagar”, disse. Arribas defendendo-se: “Se tivesse roubado o Corinthians, não teria intermediado a vinda do Thiago Heleno”.
Arribas manteve parceria com o israelense Pini Zahavi, considerado um lenda no meio. A criatividade com os negócios, valeu a Zahavi o apelido “Senhor Conserta-Tudo”. “É um dos donos do futebol no mundo”, define Wagner Ribeiro, empresário de Neymar e parceiro de Pini no Brasil.
O israelense opera uma teia de empresas localizadas em paraísos fiscais. Sua grande realização foi ajudar o bilionário russo Roman Abramovic, na compra do Chelsea. Mantém base na América do Sul, desde a MSI-Corinthians e opera por meio de uma salada de empresas instaladas nas Ilhas Virgens Britânicas e em Gibraltar.
“Essa cascata de empresas off-shore, embaralha o nome dos verdadeiros donos do dinheiro”, afirma o promotor José Reinaldo Carneiro, do Grupo de Apoio ao Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de São Paulo. Práticas condenadas pela Fifa e pela Justiça. Mas nada que o Senhor Conserta-Tudo não resolva em seu escritório no 34º andar de um edifício em Tel Aviv.